C E R V E J A S

Uma das coisas que sempre nos atraiu no processo de fabricação de cerveja artesanal foi fazer experimentações: criar cervejas próprias de acordo com a nossa vontade ou poder recriar cervejas clássicas à nossa maneira. Ao longo dos últimos anos foram muitas produções, quase nunca repetindo receitas. Compartilhamos aqui algumas que consideramos especiais.

Cerveja Artesanal Dos Reis

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Campesina

Belgian Saison

Maltes: pilsen e trigo claro

Lúpulos: perle e styrian goldings

Levedura: White Labs Belgian Saison II

Outros: dry hopping de styrian goldings

Cerveja dourada, levemente turva, com creme branco compacto, persistente. Aroma predominantemente frutado e herbal, contribuição da levedura especial e do dry hopping com lúpulo nobre europeu. Bom equilíbrio de dulçor e amargor, leve acidez, final de boca seco. Apesar de ter 7% de álcool, aparenta ser leve e refrescante. 

Foi avaliada como uma das melhores cervejas do Concurso Nacional das Acervas de 2013, concorrendo com quase 500 amostras. Recebeu 45 pontos em 50, sendo considerada referência mundial do estilo.

Atualização:

Como gostamos muito desse estilo, todos os anos fazemos uma Saison com pequenas variações da receita original. No ano de 2017, a Saison que havíamos produzido para o nosso Natal foi enviada novamente para o concurso Nacional das ACervAs e levou medalha de prata no estilo. Além disso, foi considerada a melhor cerveja “ale” clara da competição, que teve mais de 600 amostras. No mês de Outubro, fizemos uma versão mais leve dessa cerveja na KrugBier em comemoração aos 3 anos da Feira Experimente.

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Moscata

Pumpkin Ale

Maltes: Pale Ale, Cara Red e Centeio

Lúpulos: Magnum e Fuggles

Levedura: US-05

Outros: abóbora e gengibre

Cerveja produzida para o Brücke Experience de outubro de 2017. Coloração alaranjada, lembrando abóbora, cremosa e espuma consistente. A abóbora e e o gengibre são percebidos no aroma e no sabor, sendo que o gengibre o responsável pela refrescância que esperávamos na nossa cerveja. Já o centeio traz um pouco de picância e sensação de condimento, deixando a cerveja mais complexa. Todo o processo foi muito lento, trabalhoso e cansativo, mas o resultado valeu a pena, toda a produção se esgotou em pouco mais de duas semanas!

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Maria Brettânea

Maltes: pilsen, cristal, caramunich

Lúpulo: citra

Levedura: american farmhouse ale

Outros: 2 quilos de jaboticaba macerada no fermentador, levando a uma 2ª fermentação. Após 2 meses de maturação a frio, finalmente foi envasada e refermentada na garrafa.

Bem antes da moda das cervejas com adição de frutas chegar ao Brasil, fizemos no início de 2014 essa specialty ale com Brett e jabuticaba macerada do quintal de casa. Considerada por muitas pessoas a melhor cerveja caseira daquele ano.

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Viagrator

Old Ale envelhecida em madeira

50% Doppelbock feita com pau de catuaba

e 50% Baltic Porter envelhecida 2 meses em barris de carvalho francês (cervejaria Loba)

Cerveja colaborativa com Léo Nascimento, na época um dos cervejeiros da cervejaria Loba. Após envasada, a cerveja ficou envelhecendo por 12 meses sob temperatura controlada (10ºC). 

Cerveja marrom escura, opaca, creme bege consistente. Aroma de caramelo escuro, bala toffee, madeira e baunilha. Encorpada, densa, aquecimento alcóolico perceptível mas bem inserido. Uma cerveja de inverno, para beber devagar.

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A-rosa

Maltes: pilsen, viena, carapils

Lúpulo: cascade

Levedura: W-34/70 (lager)

Outros: 2 quilos de arroz negro, semente de coentro, zimbro.

Specialty beer feita com 40% de arroz negro do Rio Grande do Sul. O processo foi bastante complicado, pois o arroz precisa ser preparado à parte antes de ser colocado na panela com os grãos de malte. Mas o resultado valeu o esforço: cerveja dourada, limpa, com creme branco com toques rosados do arroz negro. Aroma predominantemente condimentado, remetendo a coentro, zimbro e um toque amendoado do arroz negro. Corpo leve, carbonatação moderada, bastante refrescante!

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Centelha

Cerveja de Centeio defumada

Maltes: pilsen, centeio, cristal, defumado

Lúpulo: perle

Levedura: wB-06

Cerveja rústica, feita no método clássico, decocção tripla, processo lento e bastante trabalhoso. Coloração cobre, turva, creme bege denso e persistente. Aroma de malte defumado, um pouco de caramelo e leve picância do centeio; frutado e condimentado da levedura. Gosto predominantemente defumado com um pouco de picância, bom equilíbrio de dulçor, amargor e acidez. Corpo médio, cremosa, bem carbonatada, nutritiva. Recebeu menção honrosa no Encontro Nacional das Acervas de 2015.

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Thai witbier

Witbier exótica

Maltes: pilsen, trigo belga claro

Lúpulo: citra e simcoe

Levedura: mangroove belgian ale

Outros: semente de coentro, casca de laranja, gengibre e cardamomo

Presente de casamento para um amigo que foi passar a lua de mel na Tailândia. A ideia era fazer uma cerveja leve, refrescante e bem “temperada”. O resultado final foi muito bom: o gengibre e o cardamomo (que deve ser usado com muita moderação) conferiram complexidade e refrescância a essa receita belga icônica. 

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Doppelsticke Dos Reis

Maltes: Munich, Caramunich II, Carafa

Lúpulo: Magnum e Spalter

Levedura: W-34/70

Uma altbier com o dobro de intensidade, é um tipo de cerveja alemã praticamente inexistente no Brasil. Nossa doppelsticke é vermelha, limpa, com um creme branco persistente. Aroma maltado remetendo a caramelo, bala toffee e um leve torrado; floral de lúpulo de baixa intensidade. Sabor maltado intenso seguido de amargor de média intensidade e persistência para equilibrar o dulçor do malte. Uma cerveja encorpada e densa, ideal para quem gosta muito de malte mas não abre mão da pegada do lúpulo. 

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Oatmetal

Oatmeal stout

Maltes: pale ale, cristal, chocolate, carafa

Lúpulos: target, fuggles

Levedura: S-04

Outros: aveia em flocos assada no forno por 30 minutos

Uma oatmeal stout cremosa com uma pegada de lúpulo mais forte e um toque amendoado decorrente da caramelização da aveia assada. Escura, opaca, creme bege denso e persistente. Sabor intenso de malte escuro, remetendo a café e chocolate, com leve herbal e mineral de lúpulos ingleses. Bom equilíbrio de dulçor e amargor, que persiste medianamente após o gole; leve acidez de maltes escuros. Corpo médio-baixo, cremosa, carbonatação mediana, baixa adstringência, sem aquecimento alcoólico. Recebeu medalha de prata no encontro regional da Acerva Mineira em 2015.